Oficina com servidores da Secretaria Municipal de AssistĂȘncia e Desenvolvimento Social
- Rede sem Fronteiras
- 5 abr 2023
- 4 Min. de lectura
Oficina com servidoras e servidores da Secretaria Municipal de AssistĂȘncia e Desenvolvimento Social - SMADS debate sobre boas prĂĄticas no atendimento Ă população migrante na cidade de SĂŁo Paulo
por NatĂĄlia Natarelli
O Encontro teve objetivo de sensibilizar profissionais que atuam na ponta do atendimento a pessoas migrantes e apresentou a iniciativa Rede de cidades solidĂĄrias.
A primeira oficina para servidoras e servidores pĂșblicos do projeto âAmpliando Redes de Cidades SolidĂĄriasâ, da Rede Sem Fronteiras, ocorreu em SĂŁo Paulo, na sexta-feira, 31/03/23, em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e AssistĂȘncia Social (SMADS), a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), por meio da Coordenação de PolĂticas para Migrantes e Trabalho Decente (CPMigTD) e teve a participação do CRAI Oriana Jara (Centro de ReferĂȘncia e Atendimento para Imigrantes), e do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), esse Ășltimo integrante da Rede Sem Fronteiras.
Cerca de 50 profissionais de vĂĄrios equipamentos da SMADS, de todas as regiĂ”es do municĂpio, acompanharam a oficina cujo objetivo foi compartilhar boas prĂĄticas de atendimento a pessoas migrantes, debater os desafios do atendimento e solucionar dĂșvidas. Para Mona Perlingeiro, do CRAI Oriana Jara, o evento foi melhor do que o esperado: âFoi muito mais enriquecedor do que eu imaginava. Ă muito importante esse diĂĄlogo entre quem faz a polĂtica pĂșblica especĂfica para migração e a sociedade civil que atua com isso na pontaâ, disse Perlingeiro.
LĂgia Sampaio Oliveira, uma das participantes, Ă© assistente social de um CREAS da zona sul de SĂŁo Paulo, e destacou que oficinas desse tipo ajudam a prestar um melhor atendimento Ă população: âA gente sempre tenta se capacitar para ter um olhar mais apurado na hora do atendimento, conhecer os equipamentos, para onde encaminhar as pessoas, [essas oficinas] sĂŁo ferramentas importantĂssimas para qualificar o atendimentoâ, comentou Oliveira. Para ela, o desafio que fica Ă© como potencializar essas polĂticas e sensibilizar o poder pĂșblico para investir em recursos financeiros e humanos nos territĂłrios mais vulnerĂĄveis.


Passado e presente dos fluxos migratĂłrios
Um breve contexto histĂłrico sobre a migração no Brasil foi apresentado por Mona Perlingeiro, do CRAI Oriana Jara, desde a colonização por Portugal, a entrada de pessoas em situação de escravidĂŁo no paĂs atĂ© as ondas mais recentes de migração europeia e asiĂĄtica.
Em seguida, Ana LĂ©on, assessora tĂ©cnica da CPMigTD, apresentou dados sobre a migração mais recente no paĂs e na cidade de SĂŁo Paulo: atualmente, no Brasil, a maior comunidade migrante Ă© da Venezuela, seguida por Haiti e BolĂvia. JĂĄ no municĂpio, os migrantes bolivianos sĂŁo maioria, seguidos de chineses e haitianos. âAs pessoas sempre se movimentaram e sempre vĂŁo se movimentar, por isso migrar Ă© um direitoâ, destacou a assessora.
LĂ©on tambĂ©m mostrou dados impactantes sobre a assistĂȘncia social: existem, hoje, cadastradas no CadĂnico, apenas 42.212 pessoas migrantes em comparação a 3.303.255 pessoas nĂŁo-migrantes. Muitos migrantes nĂŁo sabem que podem receber benefĂcios sociais, sendo que o atendimento a essa população Ă© garantido em todos os nĂveis de proteção (bĂĄsica e especial [de mĂ©dia e alta complexidade]) pela PolĂtica Nacional de AssistĂȘncia Social.
Boas prĂĄticas de atendimento
Quando chegam no paĂs, as pessoas migrantes podem estar sujeitas a diversas situaçÔes de vulnerabilidade, como insegurança alimentar, dificuldades na comunicação, no acesso a serviços bĂĄsicos, rupturas de vĂnculos e redes de apoio, desconhecimento de seus direitos, xenofobia e racismo, dificuldades na regularização migratĂłria, entre outras. Assim, em suas falas, Perlingeiro e LĂ©on deram algumas dicas de atendimento para os servidores/as:
acolher o/a migrante, procurando entender seu contexto, mas buscando nĂŁo ser invasivo/a, porque ele/ela pode ter sofrido situaçÔes de violĂȘncia durante o percurso ou mesmo ter sido obrigado/a por força maior a sair de seu paĂs;
colocar o/a migrante tambĂ©m como protagonista, seja em alguma atividade do equipamento que precise de voluntĂĄrios, ou uma festa no bairro ou na comunidade. âCom os migrantes tambĂ©m vĂȘm as soluçÔesâ, disse LĂ©on.
instruir quanto ao uso do CPF, que no Brasil Ă© muito importante, mas que para vĂĄrias pessoas migrantes pode nĂŁo ser tĂŁo clara a necessidade de saber esse dado;
destacar que não existe situação migratória ilegal, mas irregular, e que mesmo essa situação não impede que as pessoas migrantes tenham acesso a direitos.
A segunda parte da oficina foi liderada pela Rede Sem Fronteiras (RSF) e tambĂ©m teve a participação do CDHIC. Beatriz Ventura, assessora da RSF, apresentou a organização, a Aliança Migração e o projeto âAmpliando Redes de Cidades SolidĂĄriasâ. Convidou todos e todas os presentes a fazer parte dessa rede de cidades solidĂĄrias, âpara que migrantes e pessoas em situação de refĂșgio sejam tratados como sujeitos de direitosâ, disse Ventura.

Brenda Gonzales e Larissa Pinto de Almeida, do CDHIC, lideraram o debate com servidores/as sobre os desafios no atendimento e como superĂĄ-los. De forma geral, o pĂșblico ressaltou a necessidade de formaçÔes permanentes sobre o tema com os/as servidores/as, compartilhou as dificuldades que jĂĄ tiveram no atendimento ao pĂșblico migrante e debateu a condição de imigrante no paĂs. Gonzales ressaltou que Ă© preciso questionar nosso olhar para os/as migrantes e vĂȘ-los tambĂ©m como protagonistas e potentes agentes de transformação.

